Luís de Oliveira

Filho de Joaquim José de Oliveira e Albina Eufrá­sia de Oliveira, nasceu Luís Joaquim de Oliveira na cidade de Sapucaia (Estado do Rio), a 25 de agosto de 1871, desencarnando em Cachoeiro de Itapemirim (Espírito Santo) no dia 28 de julho de 1960.

Notável poeta e prosador, foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, tendo ocupado a ca­deira número 30, cujo patrono é Oscar da Gama . Escreveu também contos e existem várias peças teatrais de sua autoria, algumas delas encenadas . De vez em quando usava o pseudônimo «Ludol».

Filho do próprio esf orço, veio do Estado do Rio para Juiz de Fora, em Minas Gerais, e aí, além de de­ sempenhar as funções de escrevente do Cartório de ôrfãos e Ausentes, fêz-se professor e jornalista, cola­borando nos jornais e revistas daquela cidade e se tor­ nando um verdadeiro educador da infância, setor este a que dava a maior atenção.

Ligando-se ao poeta Oscar da Gama, fundou com ele o jornal «Novidades» , que circulou algum tempo em
Juiz de Fora. Viveu igualmente no meio de outros in­ telectuais mineiros, admirado pela sua inteligência e pelo seu talento de poeta nato.

Jovem ainda, entusiasmou-se pela Doutrina Espírita, consagrando-lhe, desde então, toda a sua cultura e inspiração. São inúmeros seus trabalhos em prosa e em verso, espalhados em diferentes publicações brasi­leiras, sendo farta a sua colaboração nas páginas do «Reformador», órgão da Federação Espírita Brasileira, tão farta que, se reunidas as suas produções ali es­ tampadas, sem dúvida ocupariam vários volumes.

De Juiz de Fora transferiu-se para o Rio de Ja­neiro, onde trabalhou, durante muitos anos, na Casa da Moeda. Aposentado, retirou-se para a cidade de Ca­choeira de Itapemirim, na qual, com sua esposa D. Ipo­meia Braga de Oliveira, que também era escritora e poetisa, fundou a revista «Alfa». Em 1922, Luís de Oliveira deu a lume «Clamores» (versos), obra que me­receu uma apresentação do Conselheiro Rui Barbosa, e, em 1926, lançou «Livro d'Alma» (prosa e verso) , pre­faciado pelo intelectual Crisanto de Brito, que em certo trecho salientou: «Nota-se que o autor não tem outra preocupação que criar situações e caracteres morais. Para isso usa do contraste. Arranja sempre situações antagônicas entre a virtude e o vício, o defeito e a qua­lidade moral, e aproveita-se da que lhe convém para doutrinar. Parece que é o seu processo predileto . Aliás essa preocupação de moralização não é recente, a jul­gar-se pelos trabalhos antigos que fazem parte do LI­VRO D'ALMA . O autor tem sido assim um moralista por excelência. »

Espírita valoroso na fé e na ação, dirigiu por mui­tos anos, até à sua desencarnação, o Asilo «Deus, Cris­to e Caridade», de Cachoeira de Itapemirim. Nessa bela obra de assistência social, que constituiu a sua grande paixão, e que até hoje funciona com o mesmo espírito de caridade, Luís de Oliveira desenvolveu, ao lado de sua dedicada esposa, elogiável trabalho de amor cristão, sendo os internados tratados ali como verda­ deiros irmãos em Cristo.

O acadêmico mineiro Martins de Oliveira salien­tou, em sua «História da Literatura Mineira », a ex­trema simplicidade e modéstia que caracterizavam a personalidade de Luís de Oliveira, dizendo que essas virtudes lhe eram o apanágio da pureza cristã.

De sua autoria, acham-se publicadas várias e exce­ lentes obras, entre as quais mencionaremos: «Sertane­jas» , «Sonhos e Visões», «Clamores», «Livro d'Alma», «Portugal no Brasil» , «Cenários», os folhetos «Folhas do Natal» (de parceria com sua esposa Ipomeia de Oli­veira) e «Folhas Cristãs» , etc., quase todas elas im­pregnadas da doutrina espírita-cristã. Deixou muitos cadernos inéditos, alguns com título, como «Seara Ben­dita», «Orações Cristãs» , «Nosso Livro», e outros sem título .

Acrescentem-se, ainda, as breves notas biográfi­cas que escreveu sobre seu grande amigo Oscar da Gama, nome que escolheu para patrono de sua cadeira na Academia Mineira de Letras . «Sertanejas» (versos) , publi­cada em 1901, foi sua primeira produção impressa em livro .

Realizou Luís Joaquim de Oliveira um vasto pro­grama de divulgação do Espiritismo pela palavra es­crita, ficando seu nome conhecido e admirado em todo o Brasil espírita pelo muito que fez.

Fonte: "Grandes Espíritas Brasileiros", de Zeus Wantuil