Miriam Makeba

Zenzile Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932, em Joanesburgo, e morreu em 10 de novembro de 2008, em Castel Volturno. Foi uma cantora sul-africana também conhecida como "Mama África" e grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid na sua terra natal.

Filha de um sangoma ou chamn da tribo Xhosa, Miriam Makeba passou sua infância em Pretória e começou a cantar em Sophiatown, um subúrbio de Joanesburgo, conhecido como um centro vibrante e multicultural antes do governo do apartheid forçar seus moradores negros a deixar a área, nos termos do Group Areas Act. Cantou seu primeiro singleLakutshona Liang”, no ano de 1953, como vocalista de Manhattan Brothers, onde ela conheceu o trompetista Hugh Masekela, que mais tarde se tornaria seu primeiro marido. Em 1958, fundou seu próprio grupo, The Skylarks, uma banda exclusivamente feminina, que misturava jazz ensemble com música tradicional do Sul Africano. No fim da década de 50, apesar de vender bastantes discos no país, recebia muito pouco pelas gravações e nem um cêntimo de royalties, o que lhe despertou a vontade de emigrar para os Estados Unidos a fim de poder viver profissionalmente como cantora.

Em 1959, juntamente com o grupo Manhattan Brothers, protagonizou o musical King Kong, chamando a atenção do cineasta norte-americano Lionel Rogosin, que a incluiu no documentário antiapartheid “Come Back, África”, em 1960, em cuja apresentação compareceu, no Festival de Veneza daquele ano. A recepção que teve na Europa e as condições que enfrentava na África do Sul fizeram com que Miriam resolvesse não regressar ao país, o que causou a anulação do seu passaporte sul-africano.
 
Foi então para Londres, onde se encontrou com o cantor e ator negro norte-americano Harry Belafonte, no auge do sucesso e prestígio e que seria o responsável pela entrada de Miriam no mercado americano. Através de Belafonte, também um grande ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, Miriam gravou vários discos de grande popularidade naquele país. A sua canção Pata Pata tornou-se um enorme sucesso mundial. Em 1966, os dois ganharam o Prêmio Grammy na categoria de música folk, pelo disco An Evening with Belafonte/Makeba.

Em 1963, depois de um testemunho veemente sobre as condições dos negros na África do Sul, perante o Comitê das Nações Unidas contra o Apartheid, os seus discos foram banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade sul-africana foram cassados, tornando-se apátrida.
 
Os problemas nos Estados Unidos começaram em 1968, quando se casou com o ativista político Stokely Carmichael, um dos idealizadores do chamado Black Power e porta-voz do partido Panteras Negras, levando ao cancelamento dos seus contratos de gravação e das suas digressões artísticas. Por este motivo, o casal mudou-se para a Guiné, onde se tornaram amigos do presidente Ahmed Sékou Touré. Nos anos 80, Makeba chegou a servir como delegada da Guiné junto da ONU, que lhe atribuiu o Prêmio da Paz Dag Hammarskjöld. Separada de Carmichael em 1973, continuou a vender discos e a fazer espetáculos em África, América do Sul e Europa.
 
Em 1975, participou nas cerimônias da independência de Moçambique, onde lançou a canção "A Luta Continua" (slogan da Frelimo), apreciada até aos nossos dias.
 
A morte da sua filha única em 1985 levou-a a mudar-se para a Bélgica, onde se estabeleceu. Dois anos depois, voltaria triunfalmente ao mercado norte-americano, participando no disco de Paul Simon Graceland e na digressão que se lhe seguiu.
 
Com o fim do apartheid e a revogação das respectivas leis, Miriam Makeba regressou finalmente à sua pátria em 1990, a pedido do presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente à chegada. Na África do Sul, participou em dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid e do levantamento de Soweto, ocorrido em 1976.
 
Agraciada em 2001 com a Medalha de Ouro da Paz Otto Hahn, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas "por relevantes serviços pela paz e pelo entendimento mundial", Miriam continuou a fazer shows em todo mundo e anunciou uma digressão de despedida, com dezoito meses de duração.
 
Em 9 de novembro de 2008, apresentou-se num concerto a favor de Roberto Saviano (jornalista e escritor italiano, autor do livro Gomorra, que documenta a atuação das máfias italianas e sua relação com as instituições do país, obra que se tornou um bestseller em todo o mundo e fez com que Saviano vivesse sob escolta permanente de policiais, em virtude de ameaças de morte feitas por mafiosos), em Castel Volturno (Itália). No palco, sofreu um ataque cardíaco e morreu no hospital na madrugada do dia 10 de novembro.
 
 
Álbuns
Miriam Makeba (1960)
The World Of Miriam Makeba (1962)
Makeba (1963)
Makeba Sings (1965)
An Evening With Belafonte/Makeba (com Harry Belafonte) (1965)
The Click Song (1965)
All About Makeba (1966)
Malaisha (1966)
Pata Pata (1967)
The Promise (1974)
Country Girl (1975)
Sangoma (1988)
Welela (1989)
Eyes On Tomorrow (1991)
Sing Me A Song (1993)
A Promise (1994)
Live From Paris & Conakry (1998)
Homeland (2000)
Keep Me In Mind (2002)
Compilações
África 1960-65 recordings (1991)
The Best Of Miriam Makeba & The Skylarks 1956-59 recordings (1998)
Mama África: The Very Best Of Miriam Makeba (2000)
The Guinea Years (2001)
The Definitive Collection (2002)