18 de abril: Dia do Livro Espírita e do Espírita

 
O surgimento do Espiritismo
 
A partir de 1847, o lar da família Fox, em Hydesville no Estado de New York, foi perturbado por ruídos inexplicáveis, que tiravam o seu sono.  A série desses eventos, assim como as acusações e as perseguições nascidas dos fanatismos religiosos tiveram uma grande repercussão na Europa.  O fenômeno das mesas girantes decorreu por volta de 1850, expandindo-se largamente pelo mundo, e confirmava a hipótese da manifestação de forças inteligentes intervindo sobre o plano físico. Esses fenômenos se transformaram em moda e passatempo. Em conseqüência, foram freqüentemente acolhidos com grande incredulidade, mas atraíram também a atenção dos homens de ciência, que se puseram a observar e estudar seriamente a fenomenologia mediúnica, descartando rapidamente a hipótese de fraudes.  Entre eles figura Hippolyte Léon Denizard Rivail que mais tarde adotaria o pseudônimo de Allan Kardec. Foi em 1854 que ele ouviu falar das mesas girantes e das manifestações inteligentes. Cético de início adotou, entretanto, uma atitude correta ao aceitar assistir às experiências, empreendendo depois seus sérios estudos do Espiritismo. Sem nunca elaborar uma teoria preconcebida ou prematura, aplicou o método experimental pela observação rigorosa e meticulosa dos fenômenos. Por um trabalho de observação e análise metódica, multiplicando as fontes (50.000 mensagens) e os médiuns, comparando as mensagens e passando-as sob o crivo da razão e do bom senso, Allan Kardec organizou e tirou os ensinamentos dos espíritos, e os publicou em 18 de Abril de 1857 no "O Livro dos Espíritos".

 

Grandes divulgadores e pesquisadores da Doutrina Espírita 

 

Charles Richet: o fundador da Metapsíquica; Charles Richet nunca se declarou espírita, mas sim, um estudioso dos fenômenos metapsíquicos. Não podemos, portanto, classificar Charles Richet como um continuador da obra de Allan Kardec, já que na verdade Richet reserva um espaço de duas páginas em um Tratado de mais 700 àquele que poderia ter sido um de seus mestres. Desvendou um caminho distinto, sem evidentemente desconhecê-lo tanto, e que o classifica na categoria de iniciador romântico da Metapsíquica, reconhecendo em Kardec, a quem se refere como Dr. H. Rivail, algum apreço pela investigação científica, mas que, no entanto, se levou demais a acreditar que as comunicações dos Espíritos através dos médiuns eram destituídas de erros, desde que as mesmas emanassem de bons Espíritos. Foi companheiro de jornada de homens do vulto de um Gustavo Geley, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano. Este último seu grande amigo e com quem duelaria no campo da ciência.
 
 
 

Ernesto Bozzano: Positivista dos mais eméritos, Bozzano apaixonou-se por todos os ramos do saber humano, entregrando-se ao estudo dos grandes filósofos. Declarou: “Fui positivista-materialista a tal ponto convencido, que me parecia inverossímel pudessem existir pessoas cultas, dotadas normalmente de sentido comum, que pudessem crer na existência e sobrevivência da alma".Mais que experimentador foi um pesquisador, organizador e comentador (sob este aspecto freqüentemente considerado pouco crítico) dos fenômenos relativos à riquíssima literatura metapsíquica do seu tempo, na qual a relação dos visionários, dos crédulos, dos mitômanos e dos charlatães era, por larga margem, mais numerosa que a dos estudiosos sérios. Após o lançamento do famoso livro de Gurney, Podmore e Myers: "Fantasmas dos Vivos", relatando grande número de casos devidamente controlados e bem documentados; finda-se as dúvidas de Bozzano em torno da crença na existência de fenômenos telepáticos. Daí por diante dedicou-se, com fervor, ao estudo dos fenômenos espíritas, através das obras de Kardec, Léon Denis, Delanne, Gibier, Crookes, Wallace e outros. Formou um grupo com a participação do dr. Giuseppe Venzano, Luigi Vassalo e os professores Enrique Morselli e francisco Porro, da Universidade de Genova. No decurso de cinco anos consecutivos, esse grupo deu o que falar à imprensa italiana e estrangeira, pois praticamente havia se obtido a realização de quase todos os fenômenos, culminando com a materialização de seis espíritos perfeitamente visíveis, e com a mais rígida comprovação. Um fato novo veio contribuir para robustecer a sua crença no Espiritismo. A desencarnação de sua mãe, em julho de 1912, serviu de ponte para demonstração da sobrevivência da alma.
 
Alexandre Aksakof:  Diplomata russo, conselheiro de Alexandre III. Doutorou-se em filosofia e se notabilizou na investigação e na análise dos fenômenos espíritas durante o século XIX. Foi professor da Academia de Leipzig e fundador, em 1874, da revista Psychische Studien(Estudos Psíquicos), na Alemanha. Em 1891, lançou em Moscou a revista de estudos psíquicos Rebus, a primeira do gênero na Rússia. Criou adeptos entre cientistas e filósofos de seu tempo, que, através de experiências feitas com médiuns famosos como Daniel Dunglas Home, levou a Rússia a formar a primeira comissão de caráter puramente científico para o estudo dos fenômenos espíritas. Sustentou longa polêmica e refutou as explicações materialistas do filósofo alemão Von Hartmann, discípulo de Schopenhauer, que atribuía todos os fenômenos espíritas a manifestações do inconsciente ou a charlatanismos. Efetivou numerosas experiências e observações científicas com o concurso da médium italiana Eusapia Palladino, que serviram de fundamentação para sua obra mais importante: Animismo e Espiritismo assim como, ao estudar a mediunidade da médium inglêsa conhecida como Elizabeth d'Espérance, testemunhou um evento sobre o qual escreveu a obra "Um Caso de Desmaterialização".
 
 

Cesare Lombroso: Médico, cirurgião e cientista italiano. Lombroso ridicularizou as manifestações espíritas com a publicação do opúsculo "Studi sull'ipnotismo" (Turim, 1882). Entretanto, a convite do conde Ercole Chiaia para que estudasse melhor o assunto, participou de sessões com a médium italiana Eusápia Palladino, convencendo-se de que eram fenômenos reais. As pesquisas que realizou com essa médium encontram-se publicadas na obra "Hipnotismo e Mediunidade". Durante muitos anos, negou os alegados fenômenos psíquicos e espirituais como charlatanice e credulidade simplória. Porém, após assistir a algumas sessões mediúnicas realizadas por Eusápia Paladino, considerou como autênticas as produção dos fenômenos e das manifestações espirituais, começando suas pesquisas.

Em 15 de julho de 1891 foi publicada uma carta onde declarou sua rendição ao espiritismo: Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espiríticos; digo fatos, porque continuo ainda contrário à teoria. Mas os fatos existem, e deles me orgulho de ser escravo.
 

 

Movimento Espírita no Brasil 

Os primeiros experimentadores da mediunidade, no Brasil, saíram dos cultores da Homeopatia, com os médicos Bento Mure, francês, e João Vicente Martins, português, aqui chegados em 1840, que aplicavam passes em seus clientes e falavam em Deus, Cristo e Caridade, quando curavam.
José Bonifácio, o patriarca da Independência, cultor da homeopatia, é também um dos primeiros experimentadores do fenômeno espírita.
O grupo mais antigo que se constituiria no Rio de Janeiro, para cultivar o fenômeno espírita, foi o de Melo Morais, homeopata e historiador, por volta de 1853. Portanto, quando da publicação de "O Livro dos Espíritos", já havia no Brasil meio favorável ao seu entendimento e divulgação.
Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade e o "Jornal do Commércio", maior órgão da imprensa da Capital do Império, que publicava em 23 de setembro, artigo favorável à nova Doutrina. Os primeiros centros espíritas, nos moldes preconizados por Kardec, surgem na Bahia ( Grupo Familiar do Espiritismo), no Rio de Janeiro e em outros estados, a partir de 1865.
 
Em 1866, Luís Olímpio Teles de Menezes publica o opúsculo O Espiritismo – Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, contendo páginas extraídas e traduzidas de O Livro dos Espíritos. Diante dos ataques expressos em Pastoral de D. Manuel Joaquim da Silveira, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, Luís Olímpio escreve carta aberta em defesa do Espiritismo. Primeiro jornal espírita do Brasil - O Eco do Além Túmulo, publicado em julho de 1869, em Salvador, com o esforço de Luís Olímpio Teles de Menezes. Contava com 56 páginas e chegou a circular até no exterior – Londres, Madri, Nova Iorque, Paris.
Ao grupo surgido em 2 de agosto de 1873- Sociedade Grupo Confúcio, de curta existência, deve-se, no entanto, a primeira tradução das obras de Kardec, por Joaquim Carlos Travassos. Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. A iniciativa coube a Augusto Elias da Silva, que recebeu o apoio de Ewerton Quadros, Xavier Pinheiro, Fernandes Figueira, Silveira Pinto e outros. Interessante que, apesar de sua denominação-Federação- não contava a instituição com qualquer filiação de outras entidades.
O fato de maior significação nos anais do espiritismo foi, sem dúvida, a adesão do eminente político, médico e católico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que presidiu a Federação nos anos de 1888-89. A união dos espíritas, tão desejada por Bezerra de Menezes, via-se prejudicada pela divergência entre "místicos"e "científicos".
Após a Proclamação da República em 1889, surge o novo Código Penal (1890) no qual o ESPIRITISMO era enquadrado como " transgressão à lei, em alguns de seus dispositivos dúbios".
Finalmente, em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Republicana, constituiu o Estado leigo, sem os liames que o ligavam à Igreja Católica. Como conseqüência o Espiritismo e todas as religiões praticadas no Brasil, foram favorecidas.
Bezerra de Menezes assume a presidência da Federação Espírita Brasileira, é empossado em 3 de agosto de 1895. Em 1897 são transferidos para a FEB os direito autorais, para língua portuguesa, de todas as obras de Kardec, fato de suma importância para a difusão da Doutrina Espírita no Brasil. Bezerra de Menezes falece no dia 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho deixando a FEB consolidada.
O período de 1905 a 1930 é de grande expansão do Movimento Espírita. A partir de 1939 e por etapas, a FEB começa a montagem de uma oficina gráfica própria para a edição das obras espíritas.
Francisco Cândido Xavier psicografa sua primeira obra, lançada pela FEB em 1932- "Parnaso de Além-Tímulo". Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos e uma plêiade de Espíritos de escol lançam-se a um trabalho de longo curso junto aos homens de esclarecimento e de fraternidade através do livro espírita.